domingo, 30 de setembro de 2012

El Tango


Completamente nua. Amarrada com firmeza à mesa de cirurgia, sem poder se mover. A mordaça abafara seus gritos, que há essa hora já haviam se esgotado. Todos morreram estrangulados em sua garganta, sem conseguir romper a barreira suja do pano de grosseiro algodão que enchia sua boca. Não poderia dizer se era bela ou desagradável. Era jovem, os pelos púbis começavam a nascer em seu corpo de moça.

Respirava com dificuldade sob o lençol que lhe cobria todo o corpo.
Me aproximei devagar, sentindo prazer em ver como ela tremia ao som de cada passo. Saboreei aquele momento desejando que fosse um quarto mais amplo. Gostaria de caminhar por horas até chegar ao seu encontro, só para vê-la sofrer tentando se contorcer a cada instante. Finalmente, cheguei ao seu encontro. Ouvia sua forte e inconstante respiração. Desesperada. Cheguei mais perto. Era
música. Quando ela sentiu minha presença acelerou sua sinfonia, como para me deixar mais excitado. Ouvindo esse convite, desci mais e encostei meu ouvido eu seu peito. O tambor batia e dava emoção àquela composição. Como se sua pele estivesse queimando ao meu toque. Ela forçava as correntes que a mantinham cativa, mais notas. No ritmo passei minha
mão por todo o seu corpo, sentindo sua agonia. Alimentando-me de sua inquietação.
Levantei-me de seu corpo trêmulo e me postei na cabeceira da mesa. Peguei a ponta do lençol e puxei, lentamente. Fazia o tecido deslizar e acariciar seu corpo. Quando destampei seus olhos... Paixão. Todo aquele tormento, toda aflição e medo do mundo pulavam em minha direção. Aqueles olhos fundos vidrados em mim. Tanta atenção,
toda volta à mim. Não pude me conter e lhe ofereci um sorriso. Estava radiante.
Não queria perder aquele momento. Corri para meus instrumentos para poder eterniza-lo. Voltei ao seu lado, não poderia deixar tão ilustre convidada sozinha por mais tempo depois de tê-la iniciado. A luz branca batia em seu corpo e ele parecia delicioso. E a melodia não cessava. Mostrei a ela meu bisturi e seus olhos... que olhos! Eles me ofereciam tudo que eu queria! Em troca
só podia oferecer meu alegre e mais sincero sorriso, novamente. Tão insignificante e me deixava tão feliz. Soltei as correntes que lhe prendiam as cintura e quadris, estava agora só presa pelos membros, gostaria de vê-la rebolar. E escolhi por onde começar.
Aqueles olhos me atraiam, queria que eles me acompanhassem até o final. Mas seus cabelos me incomodavam, tão sujos, não eram companhia adequada a tão belos olhos. Deitei o bisturi gentilmente na bandeja e o fiz
esperar, defini minha prioridade, limpar todo seu corpo antes de começar.
Peguei a navalha afiada que estava na mesma bandeja. E comecei a raspar sua cabeça. Primeiro as sobrancelhas. Depois o cabelo. Ela se contorcia e deixava o trabalho mais emocionante. Tão jovem, mas sabia como me provocar. Seus olhos sempre fixos em mim, como um convite a continuar. Após raspar toda sua cabeça, tive que raspar os poucos pelos púbis que tinha. E como ela se contorcia! Me deixava louco. Tive de força-
la contra a mesa para poder acabar o serviço.
Assim, pura, pude acordar meu bisturi. Fiz ágeis cortes verticais em suas bochechas. E não pude me controlar, soltei a mordaça, queria ouvir os gritos, os pedidos de socorro, de misericórdia. E ela pediu. Eu só podia lhe oferecer meu sorriso em troca, palavras não supriam minha satisfação. Rasguei lhe um braço na horizontal, ouvi seus gritos. Estava com
medo que perdesse muito sangue e desmaiasse, desviasse seus olhos inspiradores. Fui rápido. Deixei meu bisturi de lado e liguei a serra elétrica.
Primeiro a mão, o braço e depois de ver ela se contorcer um pouco mais, afoguei seus gritos em sangue quando lhe decapitei. Ainda sentia a ligação com seus olhos quando a cabeça voou a 2 metros de distancia.


Quando finalmente perdi seus olhos a sinfonia cessou. Cuidadosamente retirei minha inspiração de toda aquela carne morta e asquerosa. O sangue quente escorria da mesa quando apaguei as luzes e ultrapassei as portas do recinto com seus, agora meus, lindos olhos em mãos.










1 comentários:

Raphael Pinheiro Klaus disse...

Medo!!

Dica: nunca contrariem! rs

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