sábado, 5 de janeiro de 2013

Antes de se entregar a Morfeu


Às vezes me vejo no espelho antes de ir dormir, fito com sinceridade meus próprios olhos e penso que poderia mesmo amar alguém. Não quero ser egoísta, eu não precisaria sequer ser correspondida, mas eu poderia. Romantismo pode parecer antiquado, sempre achei, mas nada como meus pijamas para poder visualizar a simplicidade disso. Amar alguém.
Imagino o mar indo e vindo, eu poderia amar como o mar. Como a praia de noite. Deserta, mas só de botar os pés na areia sente-se mais importante, acolhido por algo maior que você. E quando percebe as ondas quebrando na areia, a força, descobre que poderia ficar ali para sempre e nada poderia atingi-lo... Enfim amanhece e junto com um lindo nascer do sol também chega outra notícia: você não é a última pessoa do mundo. Por mais que essa notícia possa parecer feliz, todo o riso que o sol louro trás ao mundo não se compara a aquele sentimento que cai sobre você a noite, plenitude, é assim que eu chamaria. E eu poderia amar alguém.
Em vez do reflexo das minhas pupilas do outro lado teria outrem onde eu poderia ver o mar quando analisasse os olhos. E seria ideal por alguns instantes, pois me encontraria plena nos olhos de outra pessoa. Sim, eu poderia amar alguém. Eu poderia me perder e mergulhar em alguém, submergir fundo onde ninguém mais me achasse. Quieta observando os raios de sol do outro lado do mundo. Dentro d’água eles podem ser tocados.
Desvio o olhar do espelho em um suspiro. Deito a cabeça em meu travesseiro. Romantismo é realmente antiquado... me reviro na cama antes de dormir.

1 comentários:

Carol Schuenck disse...

Que lindo, Laura!
Não sabia que escrevia, espero que escreva sempre! Andei mesmo sem bons blogs pra ler, ao que tudo indica seu blog me tomará boas horas daqui em diante! :)

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